Nesta quinta foram exibidos os primeiros vintes curtas da mostra, dividos em duas partes (“Matar ou Correr” e “Vou para Casa), ao final das quais seguia-se um pequeno debate com os realizadores.
Na medida do possível, irei tentar falar de todos.
“Azul Piscina” – Direção: Tarcísio Rocha Filho
Duas garotas conversam dentro da psicina, e a certa altura uma delas percebe que não tem mais bebida nos copos. Imediatamente, ela faz menção de chamar alguém para tornar a enchê-los, quando então o plano se abre e vemos a empregada boiando na piscina, usando seu uniforme.
O filme se vale de um estética meio kitsch, aguçada pela própia misen en scène e pela dublagem das vozes das atrizes, para tratar com bom humor o contraste entre a vidas das garotas fúteis e da empregada morta.
“O Pai – Uma Livre Perversão” – Direção: PH Diaz
O filme conta a história da relação incestuosa entre pai e filha, culminando em um desfecho inesperado.
O amor não correspondido da garota, que tenta ofercer ao pai mais do que o corpo, incute nela um sentimento de vigança, proporcinal a força de sua entrega, que a faz até morder o travesseiro.
Cru e natutalista, o filme intercala entre as cenas dos dois personagens, imagens de animais sendo mortos, adiantando a intenção da filha, concretizada finalmente com a morte do pai.
“A chegada do trem na estação” – Direção: Emilly Gama, Fábio José e Flor Fonteles
Filmado em um plano único, o filme mostra um linha de trem desativada nas proximidades da Avenida José Bastos, em cima da qual um homem se deixa ficar amarrado, enquanto espera a chegada do trem.
Produzido para a cadeira de intervenção urbana, a provocação feita pelos realizadores consegue chamar a atenção de algumas pessoas que atravessam o trilho, em especial a de um velhinho que parece querer ajudar a salvar a vida do rapaz.
“Filme de Macho” – Direção: Israel Branco
Três amigos machos lutam contra tudo o que vêem pela frente, de um poste à merda de cachorro no chão.
Acho que a intenção do realizador era de certa forma colocar em discussão essa cultura do macho, tão presente na nossa cidade. No fim das contas, o filme é bastante despretensioso e parece mais uma brincadeira de amigos.
“Crepúsculo dos Anéis” – Direção: Regis Cunha, Hemanoel Mariano, Pedro Gino, Wislan Esmeraldo.
Muito espontâneo e sem compromisso, o filme mostra a discussão dos dois personagens sobre qual filme seria melhor: Crepúsculo ou Senhor dos Anéis. No entanto, nenhum dos dois está preocupado em dar argumentos coerentes para sua sustentar suas respectivas opiniões; na verdade, tudo não passa de implicância mútua.
Mas em uma coisa os dois concordam: as franquias das quais são fãs são muito melhores do que qualquer filme do Glauber Rocha. Essa “insolência” bem-humorada é a cereja do bolo, que de resto é confeitado com muita diversão.
“I-Drome” – Direção: Fernando Pires
De tanto viver preenchido pela tecnologia, o personagem principal acaba sendo por ela absorvido, se transformando ele mesmo em um objeto tecnológico. Mas isso não se dá sem a agústia de perceber que essa metamorfose é iminente e, pior ainda, inevitável. Esse sentimento bastante familiar entre nós é exposto no curta de uma maneira muito criativa.
“Morada Embriagada” – Direção: Leandro Bezerra
Enquanto as fotos vão passando em sequência, a narradara dá um depoimento sobre o falecido irmão, um cara que gostava de aproveitar a vida na companhia dos amigos e de tocar música. Tudo isso, é claro, regado com muita bebida e drogas. Um exercício de mistura entre ficção e documentário, guiado por uma narrativa cativante e pelo conteúdo divertido e às vezes sentimental dos registros fotográficos.
“Charizard” – Direção: Leonardo Mouramateus
O emprego temporário de caseiro é oferecido a um rapaz, já que os donos da casa irão passar a semana fora. Aproveitando a oportunidade, ele aproveita para chamar Virna, que acabou de se separar do namorado, para ficar com ele. Os dois se aproveitam do espaço, dormem no quarto do casal, bebem o vinho deles, organizam uma festa. Mas esse o equilíbrio é quebrado no momento em que ele pede a Virna que escreva uma carta a seu ex-namorado, acabando tudo de um vez. No entanto, ela parece não ter forças para levar isso adiante, e então o rapaz se compromete em entregá-la em seu lugar. Quando o ex e o atual se encontram começa uma briga, mas a carta é dada ao primeiro. No final das contas, apesar das esperanças de que tudo dê certo com seu novo amor, Virna acaba fraquejando e o traindo com o antigo namorado.
O argumento é interessante, mas acho que duas coisas acabam prejudicando um pouco a força do filme. A primeira é o modo como o texto é dito, excessivamente declamado. Talvez fosse melhor um pouco mais de oralidade na hora de contar a história, narrada pelo personagem num tom quase impassível, o que dificultou um pouco o envolvimento emocional com o filme. Outra coisa é que a intenção de dar um peso maior aos sentimentos dos personagens não é acompanhada pelo curta, apesar de suas tentativas de nos convencer do contrário.
“Happy House” – Direção: Henrique Gomes e Luandro Pedreira
Um família desajustada, um gato que passa de mão em mão e um assassinato. Parece desconexo, mas assim também é o filme, feito no formato de uma sitcom, com direito a legendas, risadas externas, um casal atrapalhado e uma filha deslocada. O texto é quem deveria conduzir essa confusão toda, aumentada por paredes pixadas com dizeres em vermelho e pela desorganização do espaço em que se passa a história, mas ele não é muito bem sucedido nisso.
“Numa tarde, infância já é passado” – Direção: Nayara Sousa Machado
Um bonito curta sobre o reencontro com a infância, na figura de um bebê passeando pelo quintal, filmado em segundo plano, aparecendo meio desfocado, enquanto o personagem adulto o observa. Seu principal mérito, a meu ver, é a sutiliza com que ele evoca o sentimento nostálgico da infância, o qual é apenas sugerido.
“Quando a minha Sexta é melhor que a Sua” – Direção: Lílian Cunha
A personagem chega em casa depois do trabalho. Ela parece cansada. Toma banho, troca de roupa, se maqueia e num minuto está pronta para sair. Mas depois descobrimos que seu encontro na verdade é com uma pizza delivery… Ela dança com a música do estéreo, enquanto segura um pedaço suculento, prestes a ser devorado. Um filme sobre a solidão?
“Como num barco em ser-tão azul” – Direção: Francyara Fonteles
O passeio público por si só é um espaço que, pelo menos em mim, evoca muitos sentimentos difíceis de explicar. Esse filme, conseguiu se apropriar desse lugar para servir de substrato ao mundo interior da personagem, que pinta em uma tela algo que não nos é revelado. Há um linda cena em que vemos sua silhueta refletida numa poça d’ádua ondulante, enquanto os pássaros cantam. De deixar qualquer em estado de transe!
“Aos oito” – Direção: Luciana Vieira
Outro filme que revisita não só a infância, mas o conflito de gerações. O pai, andando de pés descalços no campinho de areia onde costumava jogar futebol com os amigos, relembra o passado. Nesse momento, o saquinho de papel vira uma bola e ele é transportado outra vez para sua meninice. Pouco depois seu telefone toca: é seu filho ligando para dizer que o treino de futebol acabou. Sentimental, sem ser piegas.
“Cálida” – Direção: Lia Calado e Fábio José
Um lindo balé filmado de perto, mostrando pés que tocam o chão e o corpo que se entrega para a câmera. Um filme de grande sensibilidade e beleza.
“estância” – Direção: Lívia Soares, Lohayne Lima e Talita Rosa
Do primeiro programa, foi o último fime a ser exibido. Talvez por isso eu tenha guardado pouco dele na memória, então acho melhor não comentar nada.
“Eldorado” – Direção: Emilly Gama
O personagem parte em busca de um tesouro nos lendários territórios do Amazonas. Por isso, a câmera se move de maneira frenética e muito confusa, desfocada e sempre muita próxima ao chão. No final, depois de muito andar, seu olhar se detém no rosto de uma senhora, distinta e simples.
Fiquei com a impressão de que o filme é uma alegoria para mostrar que o verdadeiro tesouro desse territótio é seu povo.
“O dia em que não comemos” – Direção: Gustavo Mineiro
Um documentário denunciando as difícies condições enfrentadas por muitos estudantes da UFC, que precisam usar o restaurante universitário. Um filme conduzido pelos depoimentos dos entrevistados e que se impõe muito mais por seu conteúdo.
“Londres querida, parte um” – Direção: Victor Costa/Priscila Durigan
Pelo que entendi, o curta é um documentário sobre um grupo de adolescentes que vai a Londres participar do lançamento do sétimo livro do Harry Porter.
Um registro para ser visto entre os amigos que fizeram parte da experiência da viagem. Não passa disso.
“A namorada do meu Pai” – Direção: Luciana Vieria e Lara Vasconcelos
Comentei sobre esse filme no post “Terceiro Dia do Nóia”, na oportunidade em que o Heavyyy fez parte da crítica do festival.
“Os Desejos da Carne” – Direção: Lucianda Vieria e Tobias Gaede.
Um filme que mostra o inusitado momento em que um apresentador faz às vezes de um pregador pentecostal, quando o som da TV é sobrepujado pela mensagem do religioso, exortando à renunciação dos desejos da carne.
O som ficou estava um pouco abafado, o que dificultou um pouco captar a intenção do curta sem a ajuda da sinopse.




