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HEAVYYY MUSIC: italiano Nicholas resgata antigas sonoridades e prova que Slow Motion é o novo Cool em música

Desde sua estréia, o HEAVYYY vem defendendo o papel do house como protagonista na vanguarda musical independente. Em uma época em que todas as vertentes do rock alternativo parecem produzir cada vez mais do mesmo, e a sonoridade de banda soa limitada, é no som do passado que o futuro do underground se mostra mais promissor.

Quem tem demonstrado isso com brilho e genialidade é o dj e produtor italiano Nicholas, de apenas 25 anos. Natural de Perugia, Nicholas despontou no cenário eletrônico no ano passado, com alguns singles e remixes lançados, e já em seus primeiros trabalhos deixava transparecer sua grande paixão: apesar da juventude (que em geral conduz às sonoridades mais pesadas), Nicholas prefere enveredar pela suavidade dos baixos bpms do deep house.

Trazendo de volta todo o espírito do old school através de samples e reworks de clássicos renegados de soul e house music dos anos 70, 80 e 90, Nicholas recria grooves sólidos e contemporâneos, que hoje assumem um certo ar de mistério e de obsuridade passional. Suas discotecagens geralmente acontecem na Dancity (festa que ocorre em um espaço dedicado às artes na Praça da Comuna em Perugia), apesar de o produtor já estar fortemente lançado em carreira internacional através da Juno Records. O mais interessante é que o público que frequenta essas noites não possui o tradicional perfil das festas de house italianas. São em geral, pessoas bem jovens, sedentas por um ritmo mais profundo, rico e diversificado, bem mais maduro do que a oferta geral de música eletrônica da chamada blog house.

Sem dúvidas, é de Nicholas o álbum definidor desse estilo ao mesmo tempo clássico e intrigantemente novo. Com apenas 4 faixas, ” Crying” é um álbum  que empolga os mais familiarizados com o som deep e hipnotiza os desavisados ao estilo. A primeira música é Crying, dá título ao álbum e é um furacão progressivo em câmera lenta. É a faixa que vai dar o tom para as outras, com talvez um pouco mais de percussão.

NMH-004 Nicholas – “Crying” (Unofficial Release – Promotional Use Only) by Nicholas

A segunda faixa Get You se destaca pelo estouro vocal à capella, acompanhado de uma batida constante meio 80s funk. Preste atenção na letra e repare o quanto Nicholas é rico em referências:  Get You é um rework de Love’s Gonna Get You, hit de 85 da diva dance Jocelyn Brown, cuja frase I’ve Got the Power, seria sampleada nos anos 90 pelo Snap! Basta ouvir com atenção e sentir o poder de 20 anos de dance music sendo atirados da caixa de som bem na sua cara- é de dar arrepios! O respeito e elegância com que Nicholas traz de volta tudo isso é o que faz desse álbum tão especial.

Em seguida, temos a faixa I Got You que é possivelmente a de maior destaque no álbum. I Got You consegue juntar, em uma combinação perfeita, fragmentos de vocais femininos e masculinos, em um compasso crescente e poderoso. A energia vinda da batida, dos vocais absurdos, ao mesmo tempo luxuosos e sombrios, além da tecla sustentada ao fundo (bem ao estilo old school), são quase palpáveis, atingindo o ouvinte ao nível do inconsciente.

Fechando o disco, temos “Beneath the Surface” que soa um pouco mais contemporânea dentro do universo deep, e que talvez seja a mais obscura das quatro.

Sem sair nem um momento de um estillo bem definido, Nicholas encerra um álbum onde todas as faixas são claramente obrigatórias na playlist. Ele mostra saber lidar com segurança o feeling quirky das músicas incidentais transformando-as em músicas paradoxalmente frias mas com muita alma – impenetráveis por excelência!