Foi em 1978 a primeira, e até então única vez, que os fãs de Kate Bush tiveram a chance de apreciar dois álbuns lançados no período de um ano. Os discos eram: The Kick Inside e Lionheart. Em 2011, para surpresa dos admiradores da artista, o mesmo aconteceu. Primeiro com Director´s Cut, em que Kate revisitou faixas de dois de seus álbuns de estúdio: The Sensual World (1989) e The Red Shoes (1993) onde os vocais foram regravados com algumas mudanças nas letras.
Qualquer notícia ou rumor relacionado a um possível novo trabalho de Kate já é visto com expectativa pela crítica e principalmente pelos fãs. Seu último trabalho de material inédito foi Aerial (2005), e após uma reclusão de seis anos, ela surge com 50 Words for Snow (2011) lançado por seu próprio selo, Fish People.
Sete canções compõem 50 Words for Snow. O primeiro single, Wild Man, fala sobre a lenda do Abominável Homem das Neves e sua relação conflituosa com o homem. Em entrevista, Kate disse que a inspiração para o título do disco veio com a informação de que os esquimós se utilizam de 50 nomenclaturas para a palavra snow (neve).
Uma das maiores características de Kate Bush é a imprevisibilidade. Ela é mestre na arte de contar histórias e tratar de assuntos inusitados em suas músicas. A canção mais curta do álbum tem quase sete minutos, e a mais longa, quase catorze. O que prevalece como elemento principal é o piano e a atmosfera jazzista unida com leves pitadas eletrônicas.
Outra grande surpresa é o dueto com Elton John em Snowed In at Wheeler Street. Por enquanto não há nenhuma previsão de apresentação ao vivo ou turnê, o que não é grande novidade, pois a única turnê realizada por Kate foi em 1979. De lá pra cá foram raras as suas apresentações, e ninguém sabe ao certo o porquê de tal decisão. Muitos afirmam que se trata de sua personalidade perfeccionista e seu pulso forte diante do controle total de sua imagem.
Com 50 Words for Snow, Kate conseguiu ser discreta, serena e ao mesmo tempo visionária. Cada música soa como um novo universo até então jamais explorado, e é ela quem possui a chave, o entendimento e, principalmente, a voz.
Kate também é mestre nas personificações, e as canções exploram a exímia contadora de histórias, além da forma não convencional na produção, o que nos faz entrar em um mundo de hiper realidade.
Snowflake, primeira canção do álbum, é sobre a trajetória de um floco de neve a atingir o chão. Já em Misty, trata das sensações de uma mulher a dormir com um homem de neve.
É essa a atmosfera do disco, a neve, os seres que compõem a neve, o ser humano e sua visão poética diante disso, como em um sonho. Mas já se torna impossível não se render a essa obra prima.




