Considero urgente, no tempo em que vivemos, a necessidade de se exigir uma atitude do outro. Isso de certo modo remete a uma questão moral anterior, ou melhor, ‘a’ questão moral anterior.
É verdade que a liberdade nunca correu tanto na boca das pessoas, mas é verdade também que ela nunca quis dizer tão pouco. Pode-se falar, portanto, em uma banalização semântica dessa palavra.
Queremos ser livres, estamos dispostos a defender essa liberdade. Mas saberemos como, e tão importante quanto, saberemos por quê?
Não é fácil definir o que se entende por liberdade hoje, mas, em linhas gerais, ser livre está associado à possibilidade de se exercitar diferentes modos de existir, quem sabe até ao mesmo tempo.
Entretanto, até que ponto isso nos é permitido? Não será em um espaço que nos é dado e sobre o qual não cabem reivindicações, alargamento de fronteiras?
Justamente por causa da aparente dissolução dos problemas morais, parece-nos estranho o fato, ou melhor, o fardo de que temos uma responsabilidade a cumprir.
É aqui onde reside o problema crucial, o qual se conecta a questão moral anteriormente citada, e é exatamente aonde quero chegar.
Parece-nos estranho esse tipo de cobrança. No entanto, a superficialização do problema contribui em muito para que nos contentemos com uma liberdade tão limitada. Estamos presos em paredes de vidro, e o pior, conformados em somente saber, e não em viver o que está para além delas.
A experiência deu lugar a observação.
A questão que se coloca então, e o que estou tentando expor, é primeiro: que não se deve ter como superado os problemas éticos, porque eles não são algo que se imponham por si próprios; e segundo: que devemos abraçar a responsabilidade de exigir de nós mesmos, a qualquer custo, a busca por uma existência criativa, fugindo de identidades reducionistas e criando espaços de resistência, onde possamos nos inventar a cada momento. Novos modos de prazer, de entendermos a nós mesmos e o que nos cerca, outras formas de amor.
Esta sim é uma liberdade real. É por ela que devemos lutar.
Por Leonardo Araújo

